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A combinação entre uma Campanha Nacional vitoriosa e a continuidade de um projeto político comprometido com a democracia, os bancos públicos e os direitos da classe trabalhadora marcou a abertura solene dos congressos nacionais dos empregados do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco do Nordeste e Banco da Amazônia, realizada na noite desta quarta-feira (17), na Casa de Portugal, em São Paulo. Diante de delegados e delegadas de todo o país, dirigentes sindicais e representantes de entidades parceiras, as intervenções destacaram que os desafios da categoria em 2026 extrapolam a mesa de negociação e passam também pela disputa eleitoral de outubro. Ao abrir os debates, a coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, presidenta da Contraf-CUT e vice-presidenta da CUT Brasil, Juvandia Moreira, ressaltou que a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) e dos acordos específicos dos bancos públicos é fundamental, mas alertou que as conquistas da categoria dependem também da manutenção de um ambiente político favorável aos trabalhadores. “Não adiantará nada sairmos da campanha salarial com os melhores acordos possíveis para os ACTs e para a CCT se perdermos as eleições presidenciais e legislativas neste ano. O que está em disputa são dois projetos antagônicos. De um lado, o projeto do Estado mínimo para o povo e máximo para uma pequena elite, cujas consequências nós já conhecemos. Do outro, um projeto que defende a democracia, a soberania nacional e garante condições para que os trabalhadores façam suas lutas e conquistem aumento real de salários”, afirmou. Para Juvandia, a disputa política não se limita à Presidência da República. Segundo ela, será decisivo ampliar a representação de parlamentares comprometidos com os interesses da população e a defesa das empresas públicas. “Além da renovação dos acordos coletivos e da Convenção Coletiva, temos a grande tarefa de eleger o presidente Lula e deputados e senadores comprometidos com o povo. Só assim vamos impedir que a população volte para a fila do osso. Essa é a mensagem que precisamos levar para toda a categoria nas bases”, concluiu. Os congressos dos bancos públicos antecedem a 28ª Conferência Nacional dos Bancários e irão definir as prioridades da Campanha Nacional 2026.
Eleições de 2026 e o projeto de país em disputa
Encerrando a abertura solene, o presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, afirmou que a derrota de Jair Bolsonaro em 2022 não significou o desaparecimento do fascismo e avaliou que as eleições de 2026 serão marcadas pela disputa entre projetos antagônicos de país.
Segundo ele, manifestações de intolerância, racismo, misoginia e violência contra as minorias demonstram que o extremismo segue presente na sociedade brasileira. Ao analisar o cenário internacional, Edinho apontou o crescimento da extrema direita em diversos países e observou que o enfrentamento entre democracia e autoritarismo permanece como um desafio global.
Citando o pensador italiano Antonio Gramsci, o dirigente petista destacou que a intolerância ao diferente é uma das marcas do fascismo e associou esse comportamento a políticas adotadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como a perseguição aos imigrantes e o enfraquecimento de políticas voltadas à diversidade. Na avaliação de Edinho, o Brasil ocupa posição estratégica nesse cenário, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva exerce um papel relevante na defesa da democracia.
Na parte final de sua intervenção, o presidente do PT contrapôs os projetos que, segundo ele, estarão em disputa nas eleições de outubro.
“De um lado, está um modelo baseado nas privatizações, no sucateamento dos serviços públicos, no negacionismo e no enfraquecimento da ciência e das universidades. Do outro, está um projeto que defende a soberania nacional, a redução das desigualdades, a valorização da educação e o desenvolvimento tecnológico. Queremos um Brasil que transforme suas riquezas em desenvolvimento, modernização da indústria e geração de empregos de qualidade para as próximas gerações”, afirmou.
Defesa da democracia e dos bancos públicos
Presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e também coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Neiva Ribeiro deu as boas-vindas aos participantes e lembrou a importância dos congressos neste ano de Campanha Nacional.
“A categoria tem grandes expectativas por avanços na remuneração, melhores condições de trabalho e pelo combate ao assédio moral e às metas abusivas”, disse.
“Cabe a nós fazer os debates necessários para defender os direitos da categoria, os bancos públicos e a democracia. Defender a democracia é defender a soberania nacional, a negociação coletiva e avançar nas pautas importantes para os trabalhadores”, acrescentou.
Representando a Contraf-CUT, o secretário-geral Gustavo Machado Tabatinga Junior conduziu a abertura conjunta dos congressos e destacou o papel dos bancos públicos para o desenvolvimento nacional.
“Mais do que reunir instituições estratégicas para o Brasil, este encontro reúne as pessoas que fazem tudo isso acontecer todos os dias. Desejo a todas e todos um excelente trabalho, muita participação e grandes avanços para nossa categoria”, afirmou.
O presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae), Sérgio Takemoto, defendeu uma campanha salarial forte e ressaltou a importância das eleições deste ano.
“Precisamos fazer o melhor acordo possível e fortalecer um projeto de país comprometido com as empresas públicas. Também é preciso eleger deputados e senadores que estejam ao lado dos trabalhadores”, observou.
Representando a Federação Única dos Petroleiros (FUP), a coordenadora-geral em exercício Cibele Vieira, destacou a necessidade de fortalecer um projeto voltado à valorização dos trabalhadores e das empresas estatais.
“Temos que voltar a sonhar e acreditar que fortalecer os direitos dos trabalhadores e as empresas públicas é fortalecer o Brasil”, disse.
Campanha nacional e unidade da categoria
Representando a Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, Felipe Pacheco destacou os desafios da campanha deste ano, especialmente em relação ao Saúde Caixa.
“Precisamos garantir os direitos conquistados e avançar em novas reivindicações. Uma das prioridades é o fim do teto de custeio de 6,5% do Saúde Caixa, e isso exige unidade da categoria”, afirmou.
Pela Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), Fernanda Lopes ressaltou que a categoria chega à campanha em um momento decisivo e agradeceu o apoio dos trabalhadores nas eleições da Cassi, da Previ e do Economus.
“Estamos nos preparando para uma nova batalha e é fundamental saber que estamos juntos. Essa confiança é o que nos dá a certeza de que sairemos vitoriosos”, declarou.
Saúde mental e condições de trabalho
O coordenador da Comissão de Negociação dos Funcionários do Banco do Nordeste (BNB), Robson Araújo, chamou atenção para os debates realizados durante o congresso do banco sobre a aplicação da NR-1 e os riscos psicossociais.
Segundo ele, as entidades sindicais também precisam construir diagnósticos próprios sobre o adoecimento da categoria.
“Esse levantamento pode se tornar uma ferramenta importante para enfrentarmos os problemas de saúde mental que atingem os bancários”, afirmou.
Coordenador da Comissão de Negociação dos Empregados do Banco da Amazônia (Basa), Cristiano Moreno Valente dos Santos reforçou a importância da unidade para enfrentar a precarização das relações de trabalho.
“Os bancos públicos continuam sendo fundamentais para a sociedade, mas nós, trabalhadores, temos sido tratados como descartáveis. Somente a unidade será capaz de resistir à precarização e defender os empregos”, observou.
Eleições e mobilização dos trabalhadores
Para José Ferreira Pinto, presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro e representante da corrente Articulação Bancária, as eleições deste ano terão impacto direto sobre os direitos da categoria.
“Está em jogo impedir retrocessos e defender os bancos públicos. O sucesso da nossa campanha nacional também será importante para fortalecer a luta da categoria”, disse.
Representando a Intersindical, Rita Lima defendeu o fim da escala 6x1 e a necessidade de enfrentar a lógica do rentismo.
“Precisamos ter estratégia para derrotar os interesses dos banqueiros e conquistar os direitos que a categoria necessita”, afirmou.
Representando a CTB e a FEEB Bahia e Sergipe na CEE Caixa, Erico Cesar Gomes destacou a importância dos congressos como espaços de construção coletiva.
“Defender os empregados é defender o papel social dos bancos públicos e eleger representantes comprometidos com os interesses da população e dos trabalhadores”, avaliou.
Pela Fetrafi-RS na Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), Priscila Rodrigues Aguirres ressaltou a importância de ampliar o diálogo com os trabalhadores nos locais de trabalho.
“Precisamos levar informações às bases e mostrar que ainda há muito a avançar em direitos e condições de trabalho”, afirmou.
Representando a FEEB São Paulo e Mato Grosso do Sul na CEE Caixa, Tesifon Quevedo Neto apontou a defesa do Saúde Caixa e a resistência às reestruturações como prioridades da categoria.
“Precisamos preservar a saúde financeira do plano sem comprometer o orçamento das famílias, e isso passa pelo fim do teto estatutário de 6,5%”, observou.
Encerrando as intervenções, o dirigente do Sindicato dos Bancários da Baixada Fluminense e representante da corrente Fórum, Fernando Correia de Sá, destacou que a pluralidade de ideias fortalece o movimento sindical.
“Independentemente das correntes políticas, todos buscamos a unidade para defender os direitos dos bancários ativos e aposentados. Só a luta nos garante”, concluiu.
A abertura conjunta dos congressos marcou o início de uma semana de debates que reunirá representantes dos empregados do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, do Banco do Nordeste e do Banco da Amazônia para definir as prioridades da Campanha Nacional 2026 e preparar a participação da categoria na 28ª Conferência Nacional dos Bancários.
Fonte: CONTRAF |